Umbabarauma: Homem gol!!! veste roupa nova

por Adriano Meneses

A produção envolve talento, ação social, futebol e um dos maiores clássicos da musica brasileira!!!

Em tempo de copa do mundo, há quem torça, jogue futebol, cornete ou se preferirem (vuvuzele o que enche muito o saco !!! falai!!) mas existe também que mostre talento, alem das 4 linhas. “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)” sem duvida nenhuma é um dos maiores clássicos da obra de Jorge Ben Jor, na época a ainda Jorge Ben, Umbabarauma faz parte do disco “África Brasil” antológico e essencial na opinião de muita gente boa. Na canção é contada a saga de um jogador de futebol africano chamado Umbabarauma. No álbum ainda há mais referências ao esporte na faixa “Camisa 10 da Gávea”.

Ganjaman junto de seu parceiro Dj Zegon, tiveram a iniciativa de dar roupa nova a esta produção, chamaram pra empreitada velhos amigos como Daniel gosta de afirmar, entre eles Gabriel Ben Menezes (filho de Jorge), Pupillo (Nação Zumbi), Gustavo da Lua (Nação Zumbi), Duani Martins e o trio de backing Negresko Sis, formado por Anelis Assumpção, Thalma de Freitas e Céu.

O projeto é uma inciativa da Nike Sportswear a primeira do gênero no Brasil projeto que envolve uma ação de branded content e ação social para ajudar o projeto Capão Redondo Futebol Clube. Toda a renda da comercialização da musica será revertida para o projeto, que busca a inclusão social de jovens por meio do esporte e da cultura.

Segundo Ganjaman a idéia era ter uma versão próxima da original, com sonoridade moderna, com o ar de resgate daquela época em que a musica foi feita.

Batemos um papo com Daniel Ganjaman para traduzir a produção em palavras e o resultado você confere a baixo

1. Produtor musical, engenheiro, músico e Dj nas horas vagas. Além deste trabalho já produziu muita gente boa, da pra falar um pouco disso?

Trabalho com música a bastante tempo e meu envolvimento sempre foi muito direto. Meu pai foi músico nos anos 60, aprendi a tocar teclado com 6 anos de idade e sempre tive muita música rolando em casa. Profissionalmente a coisa toda engrenou quando abrimos nosso estúdio (“El Rocha”, situado em pinheiros) em 97. Esse estúdio é coordenado pelos meus pais, meus irmãos e eu e foi a minha grande escola de produção musical e engenharia de som. No total, devo ter gravado mais de 100 discos contando com todos que foram feitos lá.

2. A música Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) conta a historia de um jogador africano, mas lembra a historia de brasileiros peladeiros dos campos de terra batidos, qualquer semelhança com a copa do mundo da África é pura coincidência, como surgiu à história de dar uma roupa nova a ela, todos toparam na hora, quanto tempo levou a produção desde a idéia?

O projeto partiu da cabeça do Dj Zegon e quando ele me apresentou uma primeira idéia, fomos elaborando juntos até virar oque virou. Começamos a trabalhar nisso no final do ano passado, até a idéia virar realidade e entrarmos em estúdio em abril desse ano. O processo de estúdio levou em torno de um mês e os artistas que escolhemos pra compôr esse time tem em comum uma enorme adoração pelo trabalho do Jorge.

3. Você e Zegon conversaram bastante até ter um norte nesta produção,segundo costa queriam uma versão moderna, mas sem perder a essência original do som de Benjor, que na época era Jorge Ben, de onde veio a inspiração, o trabalho começou do zero de novo?

Quando se trabalha uma releitura de uma faixa tão clássica, uma alteração muito brusca pode soar como uma “blasfêmia”. Somos todos grandes fãs dessa canção e o fato de existir uma grande semelhança com a versão original é totalmente proposital. Queríamos manter a essência da música completamente intácta, porém com a sonoridade de hoje em dia.

4. Qual era a proposta da Nike, teve alguma mudança? Porque a escolha do Studio YB?

A Nike juntamente com a Kultur Studio foram os principais responsáveis por tornar esse sonho possível. Seria completamente inviável realizar um projeto dessa magnitude sem uma empresa de grande porte por trás e eles nos deixaram completamente livres pra criar a conceber a faixa da forma que queríamos. A YB já é parte de nossa história e temos grandes amigos lá. Inclusive, foi lá que conheci o Zegon e a maioria dos trabalhos que realizamos juntos foram feitos lá. Na minha opinião é um dos melhores estúdios de São Paulo e com certeza, o mais organizado e estável (o que conta muito no processo de produção).

5. Você opinou por exemplo na escolha dos instrumentos , Pupilo do Nação Zumbi toca a musica, não queria uma percussão de samba, mas queria um sonoridade africana, como conciliar tanta ideia junto?

Esse é nosso papel de produtor e é importantíssimo que haja um direcionamento num projeto como esse. Por todos conhecerem bem a música e serem grandes músicos, a parte de produção foi extremamente tranquila.

6. Qual foi a sensação de unir em uma musica , muita gente boa, Anelis, Thalma e Céu, Mano Brown e Jorge Benjor, Pupilo, Gustavo da Lua, Ben Menezes, Duani Martins, Zegon que divide a produção?

Foi ótimo poder contar com esse time e sem dúvida, esse foi um grande diferencial dentro do projeto. No entanto, é bom lembrar que essa faixa foi produzida entre amigos e a maioria dos envolvidos no projeto se conhecem a muito tempo. Esse é o ambiente perfeito para um bom resultado em qualquer trabalho.

7. Mano Brown e Jorge benjor, um mistura bem feita, Benjor fez algum pedido especial, tipo teve medo que muda-se demais a musica e o Mano Brown, foi ele que escreveu as rimas?

O Jorge chegou no estúdio e adorou oque agente fez. Foi super tranquilo todo o processo de gravação com ele e é impressionante o poder vocal que ele ainda apresenta tendo passados tantos anos! Estar em estúdio dividindo esse momento com ele foi incrível, já que pra mim ele é um dos grandes mestres da música mundial. O Brown sempre escreve tudo que canta e é um dos melhores poetas do Brasil. Gravar com ele é sempre uma aula e ele sabe muito bem onde quer e onde pode chegar.

8. A renda será toda revertida para um projeto social, você acha importante iniciativas como essa? Levando para outra esfera, Se de todo o dinheiro que a copa gera 25% voltassem para África você acha que amenizaria a situação daquele pais, quais outras iniciativas no seu modo de ver contribuem para amenizar a desigualdade, seu trabalho teu um pouco disso não?

Acho importantíssimo que projetos como esse aconteçam, apesar de saber que não é essa ou aquela atitude isolada que vai resolver a situação dos mais necessitados. Meu posicionamento político e social é que existe uma necessidade enorme de integração entre todas essas ações sociais no sentido de gerar uma continuidade para aquelas pessoas que estão tendo essa assistência. Não adianta você criar um ambiente de profissionalização se essa pessoa terá uma enorme dificuldade de se integrar no mercado de trabalho e essa integração é tão importante quanto a formação dessas pessoas. Acho que falta quebrar um pouco essa barreira que separa os indivíduos com formação de base das ONGs e ações sociais dos que tem diploma em faculdade ou cursos privados. Isso é só um entre outras dezenas de pontos a serem discutidos sobre esse assunto, mas aí já é outra entrevista…

Desenvolvimento: e